A febre é um dos sintomas que mais preocupam os pais. Ver o filho com temperatura elevada, agitado ou prostrado, gera ansiedade imediata. Mas a febre, por si só, não é uma doença: é uma resposta do organismo contra infecções e outros agentes externos.

Entender o que ela significa, quando agir em casa e quando buscar atendimento médico faz toda a diferença para a segurança da criança.

O que é febre, de verdade

Febre é o aumento da temperatura corporal acima do limite considerado normal. Em crianças, a temperatura normal varia entre 36°C e 37,2°C. A partir de 37,5°C já existe um estado de alerta, e valores acima de 38°C caracterizam a febre propriamente dita.

O organismo eleva a temperatura como mecanismo de defesa. Bactérias e vírus se multiplicam melhor em temperaturas menores, então o corpo aquece para dificultar essa proliferação. Isso significa que, muitas vezes, a febre está cumprindo um papel importante no combate à infecção.

O problema não está na febre em si, mas na causa que a gerou e na intensidade com que ela se manifesta. Por isso, o termômetro é apenas um ponto de partida, nunca a resposta completa.

Como medir a temperatura corretamente

A forma de medir interfere diretamente no resultado. O termômetro axilar, o mais comum nas casas brasileiras, pode apresentar variações de até meio grau para menos em relação à temperatura real.

O termômetro retal, embora menos usado no cotidiano, é considerado mais preciso em bebês. Já os termômetros de ouvido e os de testa digitais são práticos e confiáveis quando usados corretamente.

Para a medição axilar, mantenha o termômetro bem encostado na pele por pelo menos três minutos, com o braço da criança fechado sobre ele.

Evite medir logo após o banho ou uma atividade física intensa, pois a temperatura pode estar artificialmente alterada.

Febre em bebês: atenção redobrada

Em bebês com menos de três meses de vida, qualquer temperatura acima de 38°C exige avaliação médica imediata.

O sistema imunológico nessa fase ainda é imaturo e infecções podem evoluir rapidamente para quadros graves. Não tente resolver em casa: procure o pronto-socorro sem demora.

Entre três e seis meses, a orientação é semelhante. Se a febre ultrapassar 38°C, entre em contato com o pediatra antes de aguardar para ver como evolui.

A faixa de risco menor começa a partir dos seis meses, quando o sistema imune já apresenta mais recursos próprios de defesa.

O que fazer em casa quando a febre aparece

Antes de recorrer à medicação, algumas medidas simples ajudam a controlar o desconforto da criança e evitar a progressão da febre:

  • Ofereça bastante líquido. A febre aumenta a perda de água pelo organismo. Água, sucos naturais diluídos e sopas leves são boas opções. Crianças em amamentação devem mamar com mais frequência do que o habitual.
  • Coloque roupas leves e mantenha o ambiente arejado. Agasalhar demais piora o quadro, pois o corpo precisa eliminar calor.
  • Use compressas mornas, e não geladas, na testa, pescoço e virilha. Compressas geladas ou banhos muito frios causam o efeito contrário: o organismo reage tentando manter o calor interno, o que pode elevar ainda mais a temperatura.

Quando usar antitérmico

Antitérmicos como paracetamol e ibuprofeno são seguros quando usados nas doses corretas para o peso da criança. Eles não eliminam a causa da febre, mas reduzem o desconforto e ajudam no controle da temperatura.

A indicação mais comum é para crianças que apresentam febre acima de 38,5°C com sinais de desconforto, como irritabilidade, choro persistente ou dificuldade para dormir.

Se a criança está com 38°C mas brincando normalmente e sem sinais de mal-estar intenso, muitos pediatras preferem observar antes de medicar.

Nunca administre aspirina em crianças. O uso em quadros virais está associado a uma condição rara e grave chamada Síndrome de Reye. Siga sempre a orientação do pediatra e a bula do medicamento para calcular a dose correta pelo peso.

Sinais de alerta: quando ir ao médico

Alguns sintomas que acompanham a febre indicam necessidade de avaliação médica imediata, independentemente do valor marcado no termômetro. Procure atendimento se a criança apresentar:

  • Temperatura acima de 40°C em qualquer idade
  • Febre que persiste por mais de dois ou três dias sem melhora
  • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada
  • Manchas vermelhas ou roxas na pele
  • Rigidez no pescoço ou dor de cabeça intensa
  • Choro inconsolável ou sonolência excessiva com dificuldade para acordar
  • Convulsão
  • Recusa completa de líquidos por mais de algumas horas

A convulsão febril merece atenção especial. Ela ocorre em algumas crianças entre seis meses e cinco anos quando a temperatura sobe de forma rápida.

Embora assustadora, na maioria dos casos não deixa sequelas. Mesmo assim, qualquer convulsão deve ser avaliada por um médico.

Febre alta não significa sempre doença grave

Um ponto que costuma surpreender os pais: a altura da febre não é um indicador direto da gravidade da doença.

Uma criança com 39,5°C causada por um vírus comum pode estar muito mais estável do que outra com 38°C por uma infecção bacteriana séria.

O que importa observar é o estado geral da criança. Se ela está acordada, respondendo, aceitando líquidos e sem sinais de sofrimento intenso, o quadro tende a ser mais tranquilo.

Se está apática, com dificuldade para interagir ou com outros sintomas preocupantes, a temperatura passa a ser informação secundária em relação ao que o corpo está sinalizando.

Febre recorrente: o que pode indicar

Quando a febre aparece, some e volta em ciclos regulares, isso pode indicar desde infecções virais comuns, que costumam resolver em alguns dias, até condições que precisam de investigação mais detalhada.

Crianças que apresentam febre periódica, com episódios frequentes sem causa aparente, devem ser avaliadas pelo pediatra.

Existem condições específicas que cursam com febre recorrente e que têm tratamento adequado quando diagnosticadas corretamente.

A importância do acompanhamento com o pediatra

A relação de confiança com o pediatra é o melhor recurso que os pais têm na hora de lidar com a febre. Um profissional que conhece o histórico da criança consegue avaliar com muito mais precisão o que aquela febre significa para aquele organismo específico.

Tenha sempre os contatos do consultório e do serviço de plantão anotados. Em casos de dúvida fora do horário comercial, muitos planos de saúde oferecem linhas de orientação médica por telefone, que podem ajudar a decidir se o caso exige atendimento imediato ou pode aguardar até o dia seguinte.

Febre em criança faz parte da vida. Com informação e observação cuidadosa, é possível agir com calma, segurança e sem exageros.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.