Um estudo publicado na revista Nature revelou um mecanismo do corpo humano capaz de ampliar a produção de calor a partir da gordura. A pesquisa foi conduzida pela Universidade McGill, no Canadá.

Os cientistas investigavam a reação do organismo ao frio e encontraram uma rota metabólica até então desconhecida. A descoberta pode mudar a forma como se entende o funcionamento do metabolismo energético.

Durante a quebra de gordura, o corpo libera uma substância chamada glicerol. Antes vista apenas como um resíduo, o estudo mostrou que ela tem um papel mais importante.

O glicerol ativa a enzima TNAP, que inicia uma nova forma de produção de calor nas células de gordura marrom. Esse tipo de gordura funciona de modo diferente da gordura branca, que acumula energia.

A gordura marrom ajuda o corpo a manter a temperatura corporal. Os pesquisadores a descrevem como uma “fornalha biológica”. Quando ativada, ela aumenta o gasto energético e gera calor em situações de frio intenso.

Os testes foram feitos principalmente em camundongos. Os resultados indicaram uma adaptação energética mais eficiente com a ativação da enzima TNAP.

Os pesquisadores afirmam que o mecanismo descoberto pode abrir novas possibilidades para tratamentos ligados à obesidade e a distúrbios metabólicos. Testes em humanos ainda não foram realizados.

O estudo mostra que o corpo pode ter mais de um caminho para converter gordura em calor. Isso ajuda a explicar como o organismo ajusta o consumo de energia em diferentes condições ambientais. A pesquisa reforça que várias vias metabólicas trabalham juntas para equilibrar temperatura, energia e sobrevivência.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.

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