A ivermectina é um medicamento utilizado principalmente como antiparasitário. Seu uso abrange o tratamento de infecções provocadas por protozoários e vermes, que são organismos mais complexos. Entre as condições que ela ajuda a tratar estão:

1. Oncocercose (cegueira dos rios)
2. Linfaticofilariose (elefantíase)
3. Estrongiloidíase
4. Escabiose (sarna)
5. Pediculose (piolhos)

Além de suas formas orais, a ivermectina também está disponível em forma de creme. Esse creme pode ser usado para tratar lesões na pele, especialmente em casos de rosácea, uma condição que causa vermelhidão facial e irritação.

Como usar a ivermectina

A ivermectina tem um controle rigoroso no Brasil, classificada pela Anvisa com tarja vermelha. Para comprá-la, é necessária uma receita médica. Essa receita não só permite a aquisição do medicamento, mas também traz orientações específicas sobre como utilizá-lo adequadamente.

Quando a ivermectina é administrada em forma de comprimidos, o tratamento geralmente envolve uma dose única, que deve ser tomada em jejum, acompanhada de um copo de água. Após essa dose inicial, o médico pode solicitar exames de fezes para verificar a presença dos parasitas e monitorar a eficácia do tratamento. Caso os parasitas mostrem resistência ao medicamento, o médico pode recomendar doses adicionais.

É importante ressaltar que nunca se deve se automedicar. Tomar doses inadequadas, seja a mais ou a menos, pode aumentar o risco de efeitos colaterais e diminuir a eficácia do tratamento. A melhor prática é sempre seguir as orientações do médico.

Efeitos colaterais

Assim como qualquer medicamento, a ivermectina pode ter efeitos colaterais. Os mais comuns incluem:

– Dor de cabeça
– Dor muscular
– Tontura
– Náusea
– Diarreia
– Leves erupções cutâneas

Embora esses efeitos sejam geralmente simples e resolvam-se sozinhos, algumas reações mais sérias podem ocorrer. Caso sinta qualquer um dos seguintes sintomas, é fundamental procurar um médico imediatamente:

– Dor ou vermelhidão nos olhos
– Inchaço ocular
– Dificuldade de visão
– Erupções cutâneas severas com coceira e pus
– Confusão mental
– Problemas de equilíbrio
– Dificuldade para caminhar
– Febre alta
– Dor abdominal intensa
– Dor nas articulações
– Inchaço das mãos ou pés
– Batimentos cardíacos acelerados
– Dificuldade respiratória
– Problemas de controle da bexiga ou intestino
– Dor intensa no pescoço ou nas costas
– Convulsões

Contraindicações

A ivermectina não deve ser administrada a pessoas que apresentam alergia a qualquer um de seus componentes. Quem tiver histórico de doenças no fígado, câncer ou infectados pelo HIV deve ter cuidado. Pacientes com câncer ou HIV estão mais propensos a infecções e a ivermectina pode ser crucial para o tratamento. No entanto, é essencial que um médico avalie a dosagem e os possíveis riscos antes do uso.

Ivermectina e desinformação sobre a Covid-19

Durante a pandemia de Covid-19, a ivermectina foi alvo de muitas informações falsas. Circularam boatos de que o medicamento poderia prevenir ou tratar a infecção pelo coronavírus. Situações semelhantes ocorreram com a cloroquina.

Essas alegações não são respaldadas por dados científicos. Uma pesquisa realizada em 2022 analisou 14 estudos sobre os efeitos da ivermectina no tratamento da Covid-19 e não conseguiu encontrar evidências de sua eficácia contra o vírus SARS-CoV-2.

Considerações Finais

É fundamental ter cuidado ao fazer uso de medicamentos. A ivermectina tem suas indicações, mas deve ser utilizada de maneira consciente e sob orientação médica. A automedicação pode trazer riscos à saúde e não é uma prática recomendada.

Ao procurar tratamentos, é sempre melhor buscar informações em fontes confiáveis e consultar um profissional de saúde, que pode fornecer as orientações necessárias para um tratamento seguro e eficaz. Isso garante não apenas o bem-estar, mas também uma recuperação eficaz, sem complicações futuras. Siga as orientações dos especialistas e mantenha-se bem informado sobre seu tratamento.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.