Entendendo o Lipedema: O Que É e Como Afeta as Mulheres

Famosas como Paolla Oliveira e Yasmin Brunet falaram sobre um problema que afeta cerca de 15% das mulheres ao redor do mundo: o lipedema. Frequentemente confundido com celulite, essa condição é caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e nos braços.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu oficialmente o lipedema. Em 2022, a doença foi incluída no manual de Classificação Internacional de Doenças (CID). Essa mudança é importante para facilitar diagnósticos, registros, tratamentos e estudos sobre o tema, que ainda é relativamente novo.

O Que É o Lipedema?

De acordo com o cirurgião vascular Antônio Joaquim de Freitas, o lipedema é uma condição crônica e progressiva. Ela provoca um acúmulo excessivo de gordura no tecido abaixo da pele, especialmente nas pernas, causando dor na área afetada. Essa condição geralmente possui origem genética e afeta especialmente mulheres em idade produtiva. Fatores hormonais, como os que ocorrem durante a puberdade, gravidez e menopausa, podem ter um papel central nisso. O uso de anticoncepcionais também parece influenciar a distribuição de gordura corporal, agravando ou desencadeando o lipedema.

Esse acúmulo de gordura ocorre principalmente abaixo da cintura, mas não alcança os pés. Isso pode gerar problemas estéticos e emocionais, como ansiedade e baixa autoestima. Com o tempo, a pessoa tende a ganhar peso, o que piora a situação, aumentando o risco de lesões nas articulações. Em casos mais avançados, o indivíduo pode ter dificuldade para caminhar, levando a uma atrofia muscular.

Estágios do Lipedema

O lipedema se apresenta em quatro estágios, cada um com suas particularidades e sintomas, que incluem desconforto, cansaço, inchaço, hematomas frequentes e dor local. O diagnóstico é, em grande parte, clínico, mas exames de ultrassom podem ajudar a entender a extensão do problema e a desenvolver um plano de tratamento.

Tratamento do Lipedema

Ainda não existe cura para o lipedema. O foco do tratamento é aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O médico ressalta a importância de manter um controle rigoroso do peso. Uma dieta balanceada, rica em fibras e proteínas, deve ser adotada. Além disso, é essencial evitar o consumo excessivo de laticínios e carboidratos.

Outro ponto importante é a prática regular de atividades físicas. Exercícios aeróbicos e musculação são muito recomendados para ajudar a controlar o peso e melhorar a circulação.

Tratamentos Complementares

Para casos mais avançados de lipedema, podem ser indicados tratamentos complementares. A drenagem linfática, por exemplo, é uma técnica que pode ajudar a reduzir o inchaço e a sensação de peso nas pernas. O uso de meias de compressão também é bastante recomendado. Elas auxiliam na circulação e podem trazer alívio para a pressão e o desconforto.

Em algumas situações, a lipoaspiração pode ser considerada uma opção também. Contudo, é fundamental que qualquer procedimento seja feito com acompanhamento médico adequado e especializado. O profissional de saúde é quem poderá orientar sobre o melhor tratamento para cada caso.

Conclusão

Em resumo, o lipedema é uma condição que requer atenção e cuidados. O suporte médico é essencial para gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas. Entender a doença e suas implicações pode ajudar muitas pessoas a encontrarem o tratamento adequado e a lidarem melhor com suas vidas diárias.

Se você ou alguém que você conhece apresenta sintomas relacionados ao lipedema, é aconselhável procurar um especialista para avaliações e orientações. Isso pode ser um passo importante para garantir um melhor manejo da condição e promover a saúde e o bem-estar.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.