A osteoporose é uma condição que pode passar despercebida, mas suas consequências são sérias, especialmente para as mulheres. De acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), uma em cada três mulheres com mais de 50 anos sofrerá uma fratura por fragilidade ao longo da vida. Essas fraturas ocorrem após quedas leves, que normalmente não causariam danos em ossos saudáveis. Essa condição está diretamente relacionada à perda de massa óssea.
Menopausa e Queda do Estrogênio
Um dos principais fatores que aumentam o risco de fraturas em mulheres é a queda dos níveis de estrogênio durante a menopausa. Esse hormônio é crucial para manter a densidade óssea. Segundo Dr. Igor Padovesi, ginecologista e autor do livro “Menopausa Sem Medo”, a perda de massa óssea se acelera com a diminuição dos níveis hormonais, especialmente após os 40 anos.
Além disso, o Ministério da Saúde aponta que 55% das mulheres com mais de 50 anos sofrerão fraturas relacionadas à osteoporose, um número significativamente maior do que os 25% registrados entre homens na mesma faixa etária.
Fraturas de Quadril: Riscos e Consequências
As fraturas de quadril estão entre as mais perigosas. Dados da IOF mostram que até 29% das mulheres que sofrem esse tipo de fratura morrem durante o primeiro ano após o incidente. Além disso, 45% delas perdem a capacidade de andar sozinhas, enquanto 65% necessitam de ajuda contínua.
Dr. Fernando Jorge, ortopedista, destaca que essas fraturas não impactam apenas os ossos, mas também afetam a qualidade de vida das mulheres. Muitas deixam de realizar atividades cotidianas, como dirigir, fazer compras ou até mesmo cuidar de si mesmas. Um terço delas pode se tornar totalmente dependente ou precisa ir para uma casa de repouso.
Ele alerta que os riscos não vêm apenas da fratura em si, mas também das complicações que podem surgir no pós-operatório, como trombose e infecções. Em termos de mortalidade imediata, a taxa após uma fratura de quadril pode ser maior do que a taxa de mortalidade associada ao câncer de mama.
Menopausa e Problemas Articulares
Além da osteoporose, a menopausa também está associada a um aumento de dores e problemas nas articulações. A redução dos níveis hormonais promove inflamações nas articulações, afetando locais como joelhos, ombros e mãos. Segundo Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista, esse desequilíbrio hormonal pode levar a condições mais sérias, como artrite e artrose.
Fatores anatômicos tornam as mulheres mais propensas a problemas articulares. A bacia mais larga, joelhos voltados para dentro e um ângulo maior do quadríceps aumentam a pressão sobre as articulações. Isso pode provocar condições como condromalácia patelar, que é o desgaste da cartilagem na região da patela.
Como Identificar e Prevenir a Osteoporose?
A osteoporose, muitas vezes, não apresenta sintomas até o momento em que uma fratura ocorre. Entretanto, alguns sinais podem indicar a presença da doença: perda de estatura, postura curvada, dor nas costas persistente e fraturas que acontecem sem traumas significativos. Por isso, consultas médicas regulares são muito importantes.
Dr. Fernando Jorge ressalta que o diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar complicações. Felizmente, existem métodos eficazes de prevenção.
Terapia Hormonal como Prevenção
A principal estratégia para combater a osteoporose durante e após a menopausa é tratar a queda de estrogênio. A terapia hormonal é considerada o método mais eficaz. Dr. Padovesi explica que a reposição de estrogênio, quando bem indicada, é segura e reduz significativamente o risco de fraturas.
Esse assunto ganhou destaque após a polêmica sobre um estudo de 2002, que levou muitas mulheres a abandonarem a terapia hormonal. Desde então, observou-se um aumento nas fraturas em todo o mundo. Hoje, sabe-se que a terapia hormonal é segura para a maioria das mulheres e é altamente eficaz na preservação da saúde óssea.
Estilo de Vida Saudável
Além do tratamento hormonal, adotar um estilo de vida saudável é igualmente importante. Manter um peso adequado, fazer atividades físicas regularmente — especialmente aquelas que fortalecem a musculatura — e ter uma alimentação rica em cálcio e vitamina D são medidas essenciais para a saúde óssea.
Em algumas situações, pode ser necessário o uso de suplementos ou de medicamentos para ajudar a manter a densidade óssea e evitar fraturas.
Dr. Igor Padovesi reforça que cada mulher deve ser avaliada individualmente. Buscar orientação médica ao notar os primeiros sintomas ou já na fase de perimenopausa é fundamental para planejar uma prevenção eficaz.
Conclusão
A osteoporose é uma condição que merece atenção especial, especialmente entre mulheres acima dos 50 anos. Compreender os fatores de risco, os sinais de alerta e as opções de tratamento pode ajudar a prevenir fraturas e manter a qualidade de vida. A informação e o cuidado médico são aliados importantes nesse processo, permitindo que as mulheres vivam de forma saudável e ativa durante essa fase da vida.

