A saúde mental dos jovens é um assunto que gera muita preocupação atualmente. Embora seja difícil medir exatamente como a internet impacta o bem-estar emocional desse grupo, é evidente que essa exposição influencia diretamente seu desenvolvimento social e emocional.

As redes sociais, por exemplo, têm um papel importante nesse cenário. Elas costumam expor os jovens a padrões de beleza que são difíceis de alcançar, estimulando comparações entre eles. Além disso, o bullying se tornou uma ameaça que vai além da escola, afetando o bem-estar emocional dos adolescentes em diferentes ambientes.

Em 2023, a situação se agravou. Dados apontam que o número de casos de ansiedade entre crianças e adolescentes superou o de adultos. Enquanto 112 adultos a cada 100 mil sofrem com a ansiedade, esse número sobe para 131 entre crianças e 162 entre adolescentes.

As causas desse aumento são complexas e variadas. Aqui estão alguns fatores que podem colaborar para que jovens desenvolvam transtornos mentais:

  1. Fatores genéticos.
  2. Ambiente familiar desestruturado, que pode incluir violência, negligência ou falta de comunicação.
  3. Bullying, que afeta a autoestima e o bem-estar emocional.
  4. Exclusão social, dificultando a interação e o desenvolvimento de relacionamentos.
  5. Baixo desempenho acadêmico em relação às expectativas.
  6. Pressões excessivas por parte dos pais ou cuidadores.
  7. Sobrecarga de atividades extracurriculares, levando ao estresse.

É fundamental que pais e responsáveis estejam atentos ao que acontece na vida dos jovens. Essa atenção ajuda a identificar precocemente sinais de ansiedade e outros distúrbios. Esses sinais podem variar conforme a idade e o desenvolvimento de cada criança.

Nos mais novos, os sinais de ansiedade podem ser mais evidentes, como medos intensos de certos objetos ou situações, como escuro, agulhas e palhaços. À medida que crescem, esses medos podem se tornar mais existenciais, como o medo da morte ou da perda de pessoas queridas.

Na adolescência, os sinais costumam aparecer nas relações sociais. Medos de inadequação, vergonha e receio de julgamentos dificultam a interação com os outros. Isso pode levar a uma maior solidão e a um distanciamento social.

Quando os jovens entram em crise, o papel dos adultos é muito importante, mas também delicado. Em vez de tentar resolver o problema rapidamente, o foco deve ser acolher, escutar e orientar. Aqui estão algumas estratégias que podem ajudar:

  1. Validar sentimentos: É crucial não minimizar a dor que a criança ou adolescente sente. Frases como “isso não é nada” podem aumentar o sentimento de isolamento. É importante validar a experiência emocional deles.

  2. Sugerir alternativas de pensamento ou ação: Ajude o jovem a se distrair dos gatilhos que causam a crise. Lembrar de boas memórias, descrever o ambiente ao redor ou até mesmo tomar um copo d’água pode ajudá-los a relaxar.

  3. Colaboração e escuta ativa: Após a crise começar a se acalmar, ajude o jovem a pensar em soluções para o problema. É essencial respeitar o tempo e a forma como cada um deseja lidar com a situação.

  4. Prevenção de novas crises: Incentivar o acompanhamento psicológico pode ser muito benéfico. Os profissionais da área estão preparados para ajudar crianças e adolescentes a compreender e enfrentar suas dificuldades.

Ignorar o sofrimento mental pode levar a complicações mais sérias. Um dos riscos é a autolesão, que pode incluir cortes no corpo. A ideação suicida é outra preocupação.

Estatísticas mostram que, entre 2012 e 2021, cerca de mil crianças e adolescentes cometeram suicídio no Brasil, o que equivale a três mortes por dia. Em 2020, a Organização Mundial da Saúde apontou que o suicídio era a terceira maior causa de morte entre pessoas de 10 a 19 anos.

Se você ou alguém próximo estiver enfrentando dificuldades, procure ajuda. O apoio emocional é crucial. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece suporte gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia. É fundamental buscar ajuda e apoio quando necessário, pois abordar a saúde mental com seriedade pode fazer a diferença na vida dos jovens.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.