O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os planos de saúde são obrigados a cobrir cirurgias de feminização facial para pessoas trans. A decisão foi tomada pela Terceira Turma da Corte ao manter a condenação de uma operadora que havia negado o procedimento a uma paciente.

A beneficiária já havia passado pela cirurgia de redesignação sexual e tinha indicação médica para os procedimentos de feminização facial. Segundo o tribunal, as cirurgias foram consideradas necessárias para adequar sua identidade de gênero.

Entre os procedimentos incluídos na decisão estão a reconstrução craniana, a redução do chamado “pomo de Adão” e a rinoplastia reparadora.

A operadora de saúde alegou que as cirurgias não teriam cobertura obrigatória. O argumento foi de que os procedimentos não estão previstos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ou não atendem aos critérios legais para cobertura.

A Terceira Turma do STJ, no entanto, entendeu que as cirurgias não se enquadram nas exceções da Lei nº 9.656/1998, que regula os planos de saúde. Para os ministros, os procedimentos têm finalidade terapêutica e não apenas estética.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que as intervenções foram prescritas pelo médico que acompanha a paciente e não são experimentais. Segundo ela, as cirurgias são indispensáveis para a adequação da identidade de gênero e para a preservação da saúde física e psicológica da beneficiária.

A ministra também destacou que os procedimentos constam no rol da ANS, previsto na Resolução Normativa nº 465/2021. Eles estão na Tabela de Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS), usada como referência pelos planos de saúde.

Com a decisão, o STJ reforça que cirurgias de feminização facial indicadas como parte do processo transexualizador devem ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde quando houver prescrição médica.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.