Olhar para as próprias unhas e perceber que elas estão finas, descamando ou quebrando com facilidade pode parecer um incômodo pequeno. Mas o corpo costuma dar sinais sutis quando algo não vai bem por dentro, e as unhas são um desses termômetros silenciosos.

A fragilidade ungueal, como os dermatologistas chamam, afeta cerca de 20% da população. O problema é mais comum em mulheres acima dos 50 anos, mas pode aparecer em qualquer idade e em qualquer pessoa.

Quando as unhas começam a lascar, perder brilho ou crescer de forma irregular, vale prestar atenção ao que pode estar faltando na alimentação ou na rotina de cuidados.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o problema tem solução. E ela começa com entender o que o organismo precisa para manter as unhas fortes.

O que as unhas dizem sobre a saúde

As unhas são formadas por queratina, uma proteína que também compõe os cabelos e a camada mais externa da pele.

Para que essa proteína seja produzida de maneira adequada, o corpo depende de uma série de vitaminas e minerais. Quando algum desses nutrientes está em falta, a produção de queratina cai e as unhas perdem resistência.

Além da aparência, unhas frágeis podem atrapalhar tarefas simples do dia a dia, como abrir embalagens ou digitar no celular.

Em alguns casos, a descamação gera desconforto e até pequenas lesões nos dedos. Por isso, não se trata apenas de uma questão estética.

Preste atenção nos sinais mais comuns de unhas enfraquecidas: quebra frequente mesmo quando estão curtas, descamação em camadas, crescimento lento, manchas brancas, perda de brilho e sulcos na superfície. Se algum desses sinais aparece com regularidade, é hora de investigar.

Quais nutrientes fazem falta quando as unhas enfraquecem

A saúde das unhas depende de um conjunto de vitaminas e minerais que atuam em etapas diferentes da formação da lâmina ungueal. Conhecer cada um deles ajuda a entender de onde pode vir o problema.

Biotina (vitamina B7) é o nutriente mais associado à saúde das unhas. Ela estimula a produção de queratina e ajuda a evitar fissuras na lâmina. Estudos com suplementação de biotina mostraram melhora na resistência das unhas após três a seis meses de uso. Alimentos ricos nessa vitamina incluem gema de ovo, amêndoas, batata-doce e cogumelos.

Ferro tem um papel direto no transporte de oxigênio para as células, incluindo as que formam as unhas. Quando o ferro está baixo, o oxigênio não chega de forma adequada à matriz ungueal e as unhas ficam finas e quebradiças. A anemia ferropeníca, que afeta milhões de brasileiros, é uma das causas mais frequentes desse quadro.

Zinco participa da divisão celular responsável por formar novas camadas da unha. A falta desse mineral pode causar manchas brancas e deixar a lâmina mais frágil. Carnes vermelhas, sementes de abóbora e grão-de-bico são boas fontes.

Selênio contribui para a síntese de proteínas estruturais. A castanha-do-pará é uma das fontes mais concentradas desse mineral. Uma única unidade por dia já pode suprir a necessidade diária.

Vitamina C atua na produção de colágeno, proteína que dá estrutura e firmeza a diversos tecidos do corpo, entre eles as unhas. Sem vitamina C suficiente, as unhas crescem mais devagar e quebram com facilidade. Frutas cítricas, acerola, goiaba e pimentão são ótimas opções.

Vitamina D é responsável pela absorção de cálcio no intestino. Quando ela está baixa, o cálcio não é absorvido corretamente, e as unhas podem ficar moles, com sulcos e descamando. A principal fonte de vitamina D é a exposição solar, mas peixes gordurosos como salmão e sardinha também ajudam.

Além da alimentação: outros fatores que enfraquecem as unhas

Nem sempre o problema está no prato. Alguns hábitos do dia a dia prejudicam as unhas sem que a pessoa perceba.

O contato frequente com produtos de limpeza, por exemplo, resseca a lâmina ungueal e remove a camada protetora natural. Quem lava louça ou limpa a casa sem luvas está expondo as unhas a substâncias químicas agressivas todos os dias.

O uso contínuo de esmaltes com tolueno e removedores à base de acetona também contribui para o ressecamento. Deixar as unhas sem esmalte por alguns dias, entre uma aplicação e outra, permite que elas respirem e se recuperem.

Roer as unhas é outro hábito que causa microtraumas repetidos na lâmina e facilita a quebra. Além disso, a remoção excessiva da cutícula danifica a base da unha. A cutícula funciona como uma barreira contra bactérias e fungos, e retirá-la completamente deixa a região vulnerável a infecções.

A desidratação também pesa. Quem bebe pouca água ao longo do dia pode notar reflexos nas unhas, já que a hidratação interna influencia diretamente a resistência da lâmina.

Quando o problema pode indicar algo mais sério

Em alguns casos, as unhas fracas não são apenas reflexo de hábitos ou alimentação. Elas podem sinalizar condições de saúde que merecem atenção médica.

O hipotireoidismo, por exemplo, reduz o metabolismo do corpo como um todo e afeta o transporte de nutrientes para os tecidos. As unhas, nessa condição, costumam ficar mais frágeis e de crescimento lento.

A anemia, como já mencionado, compromete a oxigenação das células e se manifesta nas unhas antes mesmo de outros sintomas aparecerem. Cansaço excessivo, palidez e falta de disposição acompanham o quadro e servem como alerta.

Doenças dermatológicas como psoríase, líquen plano e micoses também podem alterar a aparência e a resistência das unhas. Mudanças persistentes na cor, na espessura ou na textura devem ser avaliadas por um dermatologista.

O que fazer para fortalecer as unhas

O primeiro passo é rever a alimentação. Incluir alimentos variados e ricos nos nutrientes citados acima já faz diferença ao longo de algumas semanas. Ovos, carnes magras, peixes, leguminosas, folhas escuras, frutas e oleaginosas formam uma boa base.

Além da dieta, alguns cuidados práticos ajudam a proteger as unhas no dia a dia:

  • Use luvas ao manusear produtos de limpeza ou ao lavar louça.
  • Evite retirar a cutícula por completo. Apenas empurre com delicadeza e hidrate a região.
  • Aplique óleo de semente de uva, óleo de coco ou cremes hidratantes nas mãos e unhas diariamente.
  • Dê intervalos entre as aplicações de esmalte para que a unha se recupere.
  • Mantenha as unhas em um comprimento médio para reduzir o risco de fissuras.
  • Beba pelo menos dois litros de água por dia.

Bases fortalecedoras com cálcio ou queratina podem ser usadas como aliadas, mas não substituem a correção de deficiências nutricionais. Se a causa do enfraquecimento for interna, nenhum produto tópico vai resolver sozinho.

Suplementação: quando faz sentido

A suplementação de biotina tem sido a mais estudada para casos de unhas frágeis, e os resultados apontam melhora na resistência após alguns meses de uso. Ainda assim, tomar vitaminas por conta própria não é a melhor ideia.

O ideal é procurar um médico ou nutricionista, fazer exames de sangue e identificar exatamente o que está em falta. A suplementação sem orientação pode levar ao excesso de determinados nutrientes, o que também traz prejuízos.

O excesso de selênio, por exemplo, pode causar queda de cabelo e alterações nas unhas, justamente o efeito oposto do desejado.

Depois de identificar a deficiência, o profissional vai indicar a dose correta e o tempo de uso. O resultado nas unhas costuma aparecer entre quatro e seis semanas, já que esse é o tempo médio que a lâmina leva para se renovar.

Quando procurar um especialista

Se as unhas estão fracas há mais de dois meses, mesmo com alterações na alimentação e nos hábitos, é recomendável agendar uma consulta com um dermatologista. Ele pode solicitar exames específicos para investigar possíveis causas internas, como distúrbios hormonais, anemias ou infecções.

Também é importante buscar avaliação médica quando a fragilidade vem acompanhada de outros sinais, como cansaço persistente, queda de cabelo, pele muito ressecada ou alterações de peso sem motivo aparente. Esses sintomas juntos podem indicar condições que vão além de uma simples falta de vitamina.

Cuidar das unhas é cuidar do corpo como um todo. E, na maioria das vezes, o caminho para unhas mais fortes começa com um prato mais completo, hábitos mais conscientes e, quando necessário, acompanhamento profissional.

Fátima Watanabe

Fátima Watanabe, biblioteconomista formada pela UFMG, iniciou sua carreira escrevendo sobre Dante Alighieri. Atualmente, é pesquisadora, utiliza palavras-chave na didática e produz editoriais e artigos.