Cirurgia de tendão do ombro: como é feita, quanto tempo leva e como é a volta
A cirurgia de tendão do ombro quase sempre é por artroscopia, e o resultado depende do que vem depois dela.
Bandeja de instrumentos cirúrgicos e gazes organizada em um centro cirúrgico
A ressonância mostrou uma ruptura completa do supraespinhal, o fisioterapeuta já fez o que podia e o braço continua sem força para pôr um prato no armário. Nesse ponto, a conversa no consultório muda de "como aliviar" para "como é a cirurgia de tendão do ombro". A maior parte das pessoas imagina um corte grande, semanas de hospital e meses sem mexer o braço. A realidade, hoje, é diferente nos três pontos.
A operação é feita por artroscopia, com três ou quatro furos de menos de um centímetro, e o paciente vai para casa no mesmo dia ou no seguinte. Um médico especialista em ombro e cotovelo costuma dizer que a parte técnica da cirurgia dura pouco mais de uma hora. O que define o resultado é o que acontece nas doze semanas seguintes, quando o tendão recosturado precisa cicatrizar no osso enquanto a articulação reaprende a se mover.
Quando a cirurgia é indicada
Nem toda lesão de tendão precisa de cirurgia. Lesões parciais e rupturas pequenas em pessoas acima dos 60 anos costumam responder à fisioterapia. A cirurgia entra quando há ruptura completa em pessoa ativa, fraqueza que não melhora, dor que persiste depois de três a seis meses de tratamento bem feito, ou ruptura recente causada por trauma em alguém jovem.
O tempo pesa: um tendão rompido retrai e o músculo que o puxa vira gordura ao longo dos meses. Depois de certo ponto, ele não pode mais ser trazido de volta ao osso. Por isso o ortopedista não costuma esperar anos para indicar em quem tem ruptura completa e demanda funcional.
A decisão também considera a idade, a profissão, o esporte, o tabagismo e a qualidade do tendão vista na ressonância.
Cirurgia de tendão do ombro: as etapas de uma artroscopia
A tabela mostra o que acontece em cada etapa, do centro cirúrgico à alta.
| Etapa | O que acontece | Duração |
|---|---|---|
| Anestesia | Bloqueio do plexo braquial, que adormece o braço, mais sedação ou anestesia geral | 20 a 30 minutos |
| Portais | Três ou quatro incisões de 5 a 8 milímetros para câmera e instrumentos | 10 minutos |
| Preparo | Limpeza da bursa, avaliação da lesão, preparo do osso onde o tendão será fixado | 15 a 20 minutos |
| Reparo | Âncoras com fios são inseridas no osso e o tendão é suturado de volta ao lugar | 30 a 60 minutos |
| Alta | Tipoia com almofada de abdução, gelo, analgesia e orientações | Mesmo dia ou dia seguinte |
A recuperação em fases
O calendário abaixo é o mais comum para o reparo do manguito rotador. O cirurgião ajusta conforme o tamanho da lesão e a qualidade do tendão.
- Semanas 1 a 6: tipoia o tempo todo, inclusive à noite; movimentos passivos feitos pelo fisioterapeuta; gelo e analgésico.
- Semanas 6 a 12: retirada da tipoia; movimentos ativos assistidos; o braço começa a subir sozinho, sem carga.
- Semanas 12 a 16: fortalecimento leve com elástico; volta a dirigir e a tarefas de mesa.
- Meses 4 a 6: fortalecimento progressivo; volta a trabalho braçal leve e a atividades com o braço acima da cabeça.
- Meses 6 a 9: retorno a esporte de arremesso, musculação com carga e trabalho pesado.
- Um ano: força e amplitude finais; o tendão está integrado ao osso.
O que dói e por quanto tempo
As primeiras 72 horas são as mais difíceis, quando o bloqueio anestésico passa. Dor moderada a forte é esperada e controlada com analgésicos de prescrição, gelo e a posição reclinada para dormir. Da segunda semana em diante, a dor cai a um nível que o analgésico comum resolve.
Entre a sexta e a décima segunda semana, quando o braço volta a se mover, aparece uma dor diferente, de rigidez, que a fisioterapia trata. Dor que piora dia após dia, febre e vermelhidão nos cortes não fazem parte do esperado.
Dormir, tomar banho e vestir-se
Dormir reclinado, entre 30 e 45 graus, com o cotovelo apoiado num travesseiro, resolve as primeiras semanas. No banho, a tipoia sai e o braço fica junto ao corpo, sem erguer. Camisas abertas na frente, um número maior, entram primeiro pelo braço operado.
Dirigir fica proibido enquanto a tipoia estiver em uso, o que costuma significar seis semanas. Trabalho de mesa pode voltar em duas a quatro semanas para quem consegue digitar com a tipoia.
Fisioterapia: onde a cirurgia se decide
O tendão recosturado leva de doze semanas a seis meses para se integrar ao osso. Nesse período, mover demais rompe a sutura, e mover de menos endurece a cápsula. A fisioterapia é quem equilibra as duas coisas, com sessões de duas a três vezes por semana nos primeiros três meses.
Quem abandona a fisioterapia na primeira melhora costuma chegar ao sexto mês com um ombro rígido e fraco. Quem a completa recupera, na maioria dos casos, força e movimento suficientes para a rotina, o trabalho e o esporte.
Riscos e o que reduz cada um
A complicação mais comum é a rigidez, tratada com fisioterapia. A segunda é a nova ruptura, mais frequente em lesões grandes, tendões de má qualidade, fumantes e quem força o braço antes da hora. Infecção é rara na artroscopia, abaixo de 1% na maioria das séries.
Parar de fumar pelo menos quatro semanas antes da cirurgia, controlar o diabetes e respeitar a tipoia são as três medidas que mais reduzem os riscos.
Quando a volta ao trabalho acontece
Trabalho de mesa: duas a quatro semanas. Atendimento em pé e tarefas leves: seis a oito semanas. Trabalho braçal com carga ou braço acima da cabeça: quatro a seis meses. Esporte de arremesso e musculação pesada: seis a nove meses.
Esses prazos valem para a cirurgia de tendão do ombro sem intercorrência. Lesões grandes, reparos de mais de um tendão e cirurgias de revisão levam mais tempo.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de tendão do ombro
A cirurgia é feita com corte ou por vídeo?
Por vídeo, na maioria dos casos. A artroscopia usa incisões de menos de um centímetro. O corte aberto fica para lesões muito grandes ou revisões.
Quanto tempo dura a cirurgia?
Entre uma e duas horas, dependendo do tamanho da lesão e do número de tendões reparados.
Preciso ficar internado?
Em geral, alta no mesmo dia ou no seguinte. O bloqueio anestésico controla a dor das primeiras horas.
Quanto tempo de tipoia?
Quatro a seis semanas, com almofada de abdução, inclusive para dormir.
O tendão pode romper de novo?
Pode, principalmente em lesões grandes, tendões degenerados, fumantes e quem força o braço antes da liberação.
Quando volto a dirigir?
Depois de retirar a tipoia e conseguir girar o volante sem dor, o que costuma acontecer entre a sexta e a oitava semana.
Resumo
A cirurgia de tendão do ombro é feita por artroscopia, dura pouco mais de uma hora e tem alta rápida. O que define o resultado são as doze semanas seguintes: tipoia por quatro a seis semanas, fisioterapia sem interrupção e volta gradual às atividades, com trabalho pesado e esporte só a partir do quarto ao sexto mês. Parar de fumar e respeitar as fases são o que mais protege o reparo.

